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COMEÇA O PRIMEIRO SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ARQUEOLOGIA MARÍTIMA
Por Glória Tega (CEANS)
Começou ontem, 24, o “Simpósio Internacional - Arqueologia Marítima nas Américas: ocupações litorâneas, barcos e navios, portos e áreas portuárias”. O evento está sendo realizado na cidade baiana de Itaparica e pretende impulsionar o desenvolvimento da arqueologia subaquática no Brasil.
Na abertura, o arqueólogo subaquático australiano David Nutley proferiu a palestra “Arqueologia Marítima na Austrália”, onde apresentou como essa ciência vem se desenvolvendo no país e o envolvimento que ela deve ter com a sociedade. “Buscamos sempre um envolvimento com a comunidade, os projetos de arqueologia tentam ter nas equipes pessoas comuns, da comunidade, como dentistas, instrutores de mergulho, etc”, explica. O pesquisador que é do New South Wales Heritage Office, em Sydney, onde, em 1988, estabeleceu o Programa do Patrimônio Cultural Subaquático em seu país. Ele tem mais de 20 anos de experiência na gestão do patrimônio marítimo, incluindo curadoria (Australian National Maritime Museum, Sydney) e pesquisa. Além disso, é Secretário Comitê Internacional sobre o Patrimônio Cultural Subaquático do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICUCH /ICOMOS), órgão consultivo da UNESCO sobre o Patrimônio cultural subaquático.
Ainda pela manhã, sob coordenação de Gilson Rambelli, presidente da comissão científica do Simpósio e arqueólogo do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática da Universidade Estadual de Campinas – CEANS/UNICAMP, na mesa redonda Ocupações litorâneas pré-coloniais: contribuição da Arqueologia para os estudos das ocupações coloniais ao longo da costa e dos rios das Américas, apresentaram-se José Ladim da Universidade Federal da Bahia (MAE/UFBA), Tânia Andrade e Lima (Departamento de Antropologia do Museu Nacional), Flavio Calippo, doutorando do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, e Denise Schaan, da Universidade Federal do Pará.
Após o almoço, ocorreu a mesa redonda Ocupações litorâneas coloniais: contribuição da Arqueologia Subaquática para os estudos das ocupações coloniais ao longo da costa e dos rios das Américas. Nesta mesa apresentaram-se Ibrahima Thiaw, que é arqueólogo do Senegal, está na UFBA como professor visitante. Ibrahima realiza suas pesquisas na Ilha Gorée, Senegal, focando nos padrões de ocupação, comércio, hábitos alimentares e a escravidão transatlântica e local. Outra participante da mesa foi Pilar Luna Erreguerena, pioneira na Arqueologia Subaquática mexicana, uma das mais experientes arqueólogas especialista Arqueologia Subaquática do mundo e responsável pela criação, em 1980, no México, do Departamento de Arqueologia Subaquática do Instituto Nacional de Antropologia e Historia – INAH, estando a frente dele desde então.
Na seqüência, apresentaram-se, sob coordenação de José Maria Landim Domingues (IGEO/UFBA), Carlos Etchevarne (PPGA-UFBA), Roberto Ayron da Silva, Carlos Costa (Pesquisador Associado MAE/UFBA) e Luydy Abraham Fernandes (UFRB, Pesquisador Associado MAE/UFBA) e Fabiana Comerlato (Pesquisadora Associado MAE/UFBA).
Para concluir este primeiro dia, o pioneiro na Arqueologia Subaquática de Portugal, Francisco Alves, ministrou o workshop “Barcos e navios, panoramas e sínteses”. O português é um dos mais experientes arqueólogos especialista Arqueologia Subaquática do mundo; foi, durante 16 anos, diretor do Museu Nacional de Arqueologia de Portugal, participou da organização do setor de Arqueologia do Patrimônio do Instituto Português do Patrimônio Cultural (IPPC); montou a primeira campanha portuguesa de arqueologia subaquática nos destroços do L’occean, na praia da Salema, sul de Portugal, em 1997; participou da criação do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e subaquática, o CNANS, e da elaboração do texto da Convenção da Unesco para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático e é membro efetivo do ICUCH /ICOMOS.
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