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BAHIA TERÁ SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ARQUEOLOGIA MARÍTIMA
Por Glória Tega (CEANS)
Será realizado, em Itaparica, entre os dias 24 e 26 de outubro, o “Simpósio Internacional - Arqueologia Marítima nas Américas: ocupações litorâneas, barcos e navios, portos e áreas portuárias”. O evento pretende estabelecer novas perspectivas de pesquisas no Brasil e fortalecer a cooperação entre os países nos trabalhos sobre essa temática.
O Simpósio vem impulsionar o recém criado Núcleo Avançado de Pesquisa em Arqueologia e Etnografia do Mar (NAPAS), em Itaparica, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia (MAE/UFBA). “O Núcleo pretende realizar o estudo sistemático, a preservação e a divulgação do patrimônio cultural subaquático correspondente aos sítios arqueológicos de naufrágios, de áreas portuárias, santuários submersos e os de ocupações litorâneas pré-coloniais, coloniais e modernos na Baia de Todos os Santos”, explica o professor Carlos Caroso, Diretor do MAE/UFBA.
Mais do que isso, em mesas redondas e várias sessões de comunicação, profissionais brasileiros e de diversos países farão propostas de atuação que promovam a valorização e preservação do patrimônio arqueológico marítimo submerso e emerso. “Para ser conservado, todo patrimônio cultural precisa ser localizado, conhecido e estudado, gerando conhecimento para as gerações atuais e futuras”, acredita Gilson Rambelli, presidente da comissão científica do Simpósio e arqueólogo do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática da Universidade Estadual de Campinas – CEANS/UNICAMP.
Essa discussão é de grande relevância, pois o Patrimônio Cultural Subaquático Brasileiro no Brasil, e em particular o marítimo, ainda sofre com a ação predatória de pessoas que exploram comercialmente, ou por ignorância, esses bens culturais. “Infelizmente, a tendência da exploração do patrimônio arqueológico subaquático, sem objetivos científicos e sem os princípios metodológicos da Arqueologia, impera no Brasil”, afirma Rambelli.
Além disso, a lei brasileira que trata de tal patrimônio, por não ser específica, favorece a destruição dele, colocando o Brasil contrário à CONVENÇÃO DA UNESCO PARA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL SUBAQUÁTICO. Esta Convenção é um instrumento jurídico internacional elaborado para assegurar a proteção desse patrimônio e foi adotada pela 31ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em novembro de 2001. “O Brasil é um marco muito importante. Se não tivermos o Brasil como signatário da Convenção será uma enorme derrota. É imprescindível para a comunidade internacional ter o apoio do Brasil”, acredita o arqueólogo canadense Robert Grenier, que estará presente no Simpósio. Grenier participou ativamente dos trabalhos de redação da Convenção da UNESCO e é um dos nomes mais importantes na luta por princípios e normas de gestão deste patrimônio à escala mundial.
O Comitê Internacional sobre o Patrimônio Cultural Subaquático do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICUCH /ICOMOS), órgão consultivo da UNESCO, fará, pela primeira vez no Brasil, sua reunião anual logo após o Simpósio Internacional de Itaparica, entre os dias 27 e 28 de outubro. O arqueólogo Robert Grenier é presidente desse órgão e o brasileiro Gilson Rambelli é membro efetivo.
O Simpósio Internacional “Arqueologia Marítima nas Américas” será realizado pela Universidade Federal da Bahia, Museu de Arqueologia e Etnologia (UFBA), Prefeitura Municipal de Itaparica, com apoio do CEANS/UNICAMP, NEE/UNICAMP, ICOMOS/Brasil e UNESCO. O evento é gratuito e as inscrições como ouvintes ou para apresentação de trabalhos através de comunicações já se encontram abertas.
Outras informações podem ser obtidas no site http://www.mbts_insitu.mae.ufba.br/
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