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FLORIANÓPOLIS SEDIA SIMPÓSIO DE ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA

Por Glória Tega (CEANS)


A cidade de Florianópolis vai sediar o Simpósio de Arqueologia Subaquática. O evento será realizado durante o XIV Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB - entre 30 de setembro e 4 de outubro. O Simpósio tem como objetivo legitimar a Arqueologia Subaquática no Brasil, desmistificando-a da idéia de uma disciplina aventureira, por meio de apresentações de trabalhos e de debates sobre o tema.

Na programação, dividida em duas partes, há exposição de trabalhos que estudam o patrimônio cultural subaquático em diferentes formas, como naufrágios, paisagens marítimas, gravuras rupestres submersas, vestígios arqueológicos submersos no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (localizado no meio do oceano atlântico, a 1100 km de Natal) e até a ocupação ao longo dos anos de uma ilha do litoral sul de São Paulo. “Participarão pesquisadores que atuam em diferentes linhas de pesquisas arqueológicas, como Pré-História, História, Pública, Teoria e Método, comprometidos com as normas da ‘Convenção da UNESCO para Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático’, que é instrumento jurídico internacional elaborado para assegurar a proteção de tal patrimônio”, explica Gilson Rambelli, arqueólogo do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática da Universidade Estadual de Campinas – CEANS/UNICAMP e organizador do evento.

A Arqueologia Subaquática é uma especialização da ciência arqueológica que vem se tornando, gradativamente, conhecida pelos brasileiros. Cada vez mais pessoas se interessam sobre o assunto e o número de pesquisadores, aos poucos, está crescendo. Além desse desenvolvimento, outro fator importante é a eminente mudança da Lei que trata do patrimônio cultural subaquático, surgida após a realização do Simpósio Internacional de Arqueologia Subaquática, também organizado pelo CEANS/UNICAMP- em setembro de 2005. Está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Federal Lei 7566, de autoria da Deputada maranhense Nice Lobão, baseada na “MOÇÃO DO I SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ARQUEOLOGIA SUBAQUATICA”.

A Deputada propõe a extinção da atual Lei Federal n° 10.166, de dezembro de 2000, que permite a comercialização desses vestígios arqueológicos submersos, estabelecendo valor de mercado a eles e recompensas aos exploradores. O Projeto de Lei 7566 representa uma mudança no tratamento que o patrimônio cultural subaquático vinha tendo no Brasil, como “coisa ou bem submerso”. Ao definir esse patrimônio arqueológico como todos os vestígios da existência humana que se encontram submersos, ou na interface, iguala-o ao patrimônio arqueológico que está em superfície, passando ao Ministério da Cultura a tarefa de gestão.

Confira a programação do Simpósio:


Simpósio de Arqueologia Subaquática I:
Coordenador: Gilson Rambelli
Debatedor: Flávio Rizzi Calippo
Participantes e títulos das apresentações:
1) Gilson Rambelli - “Arqueologia de um navio negreiro: um estudo de caso em Angra dos Reis (RJ)”;
2) Flávio Calippo - “Arqueologia do Arquipélago de São Pedro e São Paulo”;
3) Carlos Rios - “Identificação arqueológica de um naufrágio na área do lamarão externo do porto do Recife, PE, Brasil”;
4) Rodrigo Torres - “Arqueologia náutica na cidade do Rio Grande/RS: Proposta e resultados parciais do projeto sítio arqueológico escola”.

Simpósio de Arqueologia Subaquática II
Coordenador: Gilson Rambelli
Debatedor: Paulo Fernando Bava de Camargo
Participantes e títulos das apresentações:
Edithe Pereira - “Arqueologia subaquática na Amazônia – a documentação das gravuras rupestres do sítio Mussurá, rio Trombetas (PA)”
Paulo Fernando Bava de Camargo - “Arqueologia de uma cidade portuária: Cananéia, séculos XIX-XX”
Leandro Duran - “Arqueologia marítima da Ilha do Bom Abrigo”
Ricardo Guimarães - “Prospecções arqueológicas realizadas na enseada da praia do Farol da ilha do Bom Abrigo”


Confira os resumos dos trabalhos que serão apresentados:

ARQUEOLOGIA DE UM NAVIO NEGREIRO: UM ESTUDO DE CASO EM ANGRA DOS REIS (RJ)

A presente comunicação pretende apresentar e discutir a Arqueologia de naufrágios no Brasil, através de um estudo de caso que se inicia em Angra dos Reis (RJ), sobre os restos de um navio negreiro do século XIX. Trata-se de uma temática bastante nova no país, que vem sendo desenvolvida pelo projeto de pós-doutorado do autor deste resumo, com o apoio da FAPESP, junto ao Núcleo de Estudos Estratégicos (NEE-Arqueologia) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS), do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM), também da UNICAMP.

A comunicação pretende também, refletir sobre esse tipo de abordagem que contempla o amadurecimento nos estudos da Arqueologia em suas especializações Náutica/Subaquática/Marítima, e tem como ponto de partida duas considerações. A primeira é a constatação de que para a Arqueologia todas as ações humanas que deixam vestígios materiais são significativas. Logo, uma embarcação ao naufragar, independente de sua magnitude, seus restos se transformam em um sítio arqueológico e merecem todo o respeito – como qualquer outro sítio arqueológico – independente de os vestígios estarem submersos.
A segunda consideração, diz respeito ao tema: “o navio negreiro” e ao pioneirismo dessa pesquisa. No mundo, pouquíssimos estudos de casos desse tipo foram levados adiante pela Arqueologia, de forma que pouco se produziu efetivamente sobre o estudo sistemático in situ dos navios negreiros, talvez pela dificuldade específica do tema que sofre os efeitos da carga simbólica que ele representa na memória recente de paises ex-escravocratas, como o nosso, por exemplo.
De forma que, estudar os restos do naufrágio de um navio negreiro no Brasil – no caso, um brigue de origem norte-americana, de nome Camargo, afundado em Angra dos Reis, em 1852 – representa várias possibilidades, no que diz respeito à produção do conhecimento. Dentre elas, responder a lacuna arqueológica náutica dessa embarcação como artefato e não como um relato da documentação textual que, com raríssimas exceções, ainda está limitada a discursos ideológicos e a idéias generalizantes e homogeneizadoras sobre o navio negreiro; buscando dar voz aos excluídos da História Oficial: os que navegaram nessas embarcações como carga e como tripulantes.

Autor: Gilson Rambelli: pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas CEANS/NEPAM/UNICAMP. Pós-doutorando em Arqueologia pelo Núcleo de Estudos Estratégicos (NEE) da Unicamp, bolsista FAPESP.


ARQUEOLOGIA DO ARQUIPÉLAGO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

O Projeto Arqueologia Subaquática do Arquipélago de São Pedro e São Paulo nasceu de uma parceria entre o Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS/NEE/UNICAMP) com o Laboratório de Arqueologia da UFRPE e o Oceanário Pernambuco (ONG), que tem como objetivo a pesquisa dos vestígios de naufrágios encontrados no entorno das ilhas do arquipélago oceânico de São Pedro e São Paulo. Coordenado por Rambelli e com financiamento do CNPq, este Projeto, que integra o Programa ProArquipélago da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRME / Marinha do Brasil), permitiu, até o presente momento, o levantamento e o mapeamento de destroços de uma ou mais embarcações de um contexto cronológico bem definido: fins do século XVIII e primeira metade do século XIX, denominado sítio arqueológico São Pedro e São Paulo I. Além de transformar simples destroços submersos em verdadeiros testemunhos materiais de atividades culturais passadas, únicas e não renováveis, para assim protegê-los da constante depredação que vêm sofrendo, este Projeto procura avaliar também a relação entre tais vestígios e a presença de diversas comunidades marítimas, que hoje são de fundamental importância para que o Brasil possa pleitear, na ONU, uma expansão de sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE).

Autor: Flávio Rizzi Calippo: pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas CEANS/NEPAM/UNICAMP. Doutorando em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).


IDENTIFICAÇÃO ARQUEOLÓGICA DE UM NAUFRÁGIO NA ÁREA DO LAMARÃO EXTERNO DO PORTO DO RECIFE, PE., BRASIL

Pesquisa de natureza histórico-cultural descritiva, com vistas à identificação de uma embarcação naufragada próximo ao canal sul de acesso ao Porto do Recife, PE, numa profundidade de 12m, bem como da causa do sinistro. A metodologia inclui: levantamentos subaquáticos preliminares do sítio arqueológico (fotografias, filme e coleta de vestígios de superfície), para classificar o espaço temporal do naufrágio; pesquisa bibliográfica sobre os naufrágios ocorridos nas proximidades do porto de Pernambuco e a história do porto do Recife, tipos de embarcações que por ele adentravam, mercadorias que traziam e levavam para a Europa, técnicas construtivas e madeiras utilizadas na construção de embarcações. Foi elaborada uma carta batimétrica da área, feita a coleta pontual de sedimentos, de vestígios pela técnica de varredura semicircular, de medições do naufrágio por meio de levantamentos perpendiculares e de linhas direcionais, desenhos subaquáticos do sítio arqueológico e prospecção de duas quadrículas. Os resultados levam a concluir que o naufrágio ocorreu entre 1750 e 1850, ocasionado por um incêndio a bordo. Os vestígios não forneceram elementos que permitissem determinar, com precisão, o nome da embarcação.

Autor: Carlos Rios: biólogo, mergulhador, oficial de Marinha Da Reserva remunerada, e atualmente, mestre em arqueologia pela Universidade Federal de Pernambuco.


ARQUEOLOGIA NÁUTICA NA CIDADE DO RIO GRANDE/RS: PROPOSTA E RESULTADOS PARCIAIS DO PROJETO SÍTIO ARQUEOLÓGICO ESCOLA

Introdução:

O projeto sítio arqueológico escola, iniciado no ano de 2006, consiste em uma proposta de estudo continuado de um sítio arqueológico de naufrágio, no âmbito das atividades de extensão da Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG. A primeira campanha (out – nov / 2006) resultou de uma parceria formada entre o Museu Náutico e o Laboratório de Arqueologia da Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG, para a realização de um curso de extensão envolvendo estudos teóricos e práticos dentro da linha de pesquisa da arqueologia náutica.
Enquanto atividade de extensão, o projeto encampa a tripla proposta de: a) formar equipes multidisciplinares para o estudo dos sítios arqueológicos de naufrágio; b) informar a comunidade sobre o desenvolvimento da pesquisa arqueológica na universidade e suas aplicações; e c) envolver acadêmicos, docentes e a comunidade em geral para a preservação do patrimônio cultural náutico da cidade do Rio Grande.

O sítio é composto por três embarcações parcialmente submersas, encalhadas em terreno lamoso na área de descarte ao fundo dos trapiches do Yacth Club Rio Grande, às margens do estuário da Lagoa dos Patos, na região central da cidade.

Metodologia:

O programa realizado na campanha out – nov / 2006 totalizou 96 horas de atividades, com carga semanal de 12h (4h teóricas e 8h práticas).

O eixo principal de trabalho concentrou-se no estudo da arquitetura naval como fonte de informação arqueológica e na aplicação das técnicas de registro arqueológico ao trabalho em sítios de naufrágio em zonas intermareais.

Durante o curso foram abordados, em exposições teóricas e práticas dirigidas, os seguintes tópicos: construção naval em madeira, prospecção e registro arqueológico, desenho, escala e cartografia, história náutica regional, arqueologia da paisagem portuária e topografia.

Ao final do curso, os participantes apresentaram um ensaio com suas reflexões sobre tema: “Arqueologia náutica, cultura marítima e patrimônio cultural”.
Resultados:

Os resultados da primeira campanha foram satisfatórios, contudo parciais, considerando-se que se trata de uma proposta de aplicação continuada, com resultados esperados no curto e médio prazo.

Durante a campanha foi construído um banco de dados geográficos com croquis planimétricos e altimétricos, fotografias e demais resultados da campanha, utilizando-se diferentes técnicas disponíveis ou adaptadas para o estudo dos sítios. O registro permitiu a identificação de particularidades nos três tipos construtivos representados da carpintaria naval em madeira e o endereçamento de questões de fundo arqueológico.

Autor: Rodrigo Torres: Museu Náutico da cidade do Rio Grande/FURG e Laboratório de Arqueologia LEPAN/DBH/FURG.


ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA NA AMAZÔNIA – A DOCUMENTAÇÃO DAS GRAVURAS RUPESTRES DO SÍTIO MUSSURÁ, RIO TROMBETAS (PA)

Os sítios arqueológicos com gravuras rupestres ocorrem em grande quantidade por toda a região amazônica. A maioria desses sítios está situada em lajeiros ou blocos rochosos que margeiam os rios ou em meio às corredeiras e cachoeiras. Logo, ficam temporariamente submersos no período das cheias, aflorando apenas durante o auge do estio.

Desconhecemos se essa situação era a mesma no momento da elaboração das gravuras uma vez que ainda não existem para a Amazônia datações que permitam situar no tempo a atividade rupestre desenvolvida pelas populações em tempos pré-coloniais. A falta de datações é devida, em grande parte, pelo fato dos sítios ficarem submersos durante um período do ano o que compromete a permanência de evidências materiais que possibilitem a sua datação.

A relação entre os sítios arqueológicos com gravuras rupestres e possíveis mudanças climáticas evidenciadas pela variação no nível das águas dos rios amazônicos foi um dos focos de atenção de pesquisadores que recentemente trabalharam na região do rio Trombetas.

Um desses sítios, o Mussurá – localizado nas margens do lago de mesmo nome, na bacia do rio Trombetas – que mesmo no verão suas gravuras raramente afloram à superfície, recebeu atenção especial. A solução encontrada para se estudar este sítio foi a documentação do sítio debaixo d’água, através de métodos e técnicas da Arqueologia subaquática. A iniciativa, resultante de um projeto do Museu Goeldi de prospecção e salvamento dos sítios arqueológicos existentes na área de impacto das atividades realizadas pela Mineração Rio do Norte na região de Porto Trombetas, contou com a participação de arqueólogos do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática da Universidade Estadual de Campinas (CEANS/NEPAM/UNICAMP); representou o primeiro registro arqueológico sistemático subaquático de um sítio com arte rupestre realizado no mundo.

Autor: Edithe Pereira: Museu Paraense Emilio Goeldi.


ARQUEOLOGIA DE UMA CIDADE PORTUÁRIA: CANANÉIA, SÉCULOS XIX-XX

A definição mais simples do que é um porto é bastante válida para explicar sua função no rol das estruturas físicas de organização espacial humana: é um lugar onde as embarcações param com o intuito de realizar atividades diversas, dentre elas, carregar e descarregar mercadorias e pessoas. Mas se efetivamente queremos analisar através da arqueologia os processos culturais, econômicos, políticos e sociais que se desenrolaram num determinado porto, em uma dada época, precisamos ampliar a definição de porto, englobando as seguintes questões: um porto a serviço de quem e para qual finalidade?

Dessa forma, responder a essas duas perguntas configura-se como o objetivo principal desta apresentação, a qual está embasada numa pesquisa de doutorado sobre os portos e as cidades do litoral sul paulista entre os séculos XIX e XX que ora se desenvolve no MAE-USP.

O principal problema para respondê-las está na periodização dos bens culturais materiais que fornecerão os dados para a pesquisa, pois há dois grandes empecilhos que precisam ser examinados. O primeiro deles está no fato de Cananéia ser uma cidade histórica, tombada em 1969. O segundo é que ela está numa das regiões menos desenvolvidas do estado. Em decorrência disso, sua história é percebida de forma paradoxal: o passado quinhentista ou seiscentista é glorioso, mas desde há séculos ela é uma cidade pobre. Isso implica que tendemos a seguir a mesma lógica quando tratamos dos seus portos marítimos: as estruturas desaparecidas e as ainda hoje visíveis seriam relativas aos períodos de maior opulência, tempos praticamente imemoriais. Entretanto, utilizando a teoria substantiva na análise da realidade (história) da qual derivam essas estruturas portuárias, percebemos que esse discurso não encontra nenhum respaldo material, uma vez que a maior parte delas foi erguida entre os séculos XIX e XX, período tido como decadente e sem importância para a construção da imagem de cidade histórica. E hoje, ao contrário do que pensa o senso comum, lá ainda são construídos portos que indicam que aquela não é uma sociedade que simplesmente subsiste entre o mar, o mangue e a floresta.

Autor: Paulo Fernando Bava de Camargo: pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas CEANS/NEPAM/UNICAMP. Doutorando em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).


ARQUEOLOGIA MARÍTIMA DA ILHA DO BOM ABRIGO

A comunicação apresenta os resultados obtidos pela pesquisa de doutoramento do autor (em fase de conclusão) desenvolvida junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, sob a orientação da Profª Drª Maria Cristina Mineiro Scatamacchia, e que conta com o apoio financeiro da FAPESP. Com uma análise fundamentada na “arqueologia interpretativa” como proposta por Ian Hodder e Shanks e Tilley, e pela “arqueologia crítica” de Mark Leone e Orser e Fagan, a pesquisa realiza uma macro-análise da Ilha do Bom Abrigo procurando interpretar três diferentes exemplares da cultura material identificados durante o projeto: a armação baleeira, o farol e a enseada da prainha. De modo geral, a comunicação visa discutir a importância do papel da “maritimidade” dentro do processo de formação da sociedade comercial-mercantil capitalista que se instalou na região da planície costeira de Cananéia-Iguape a partir dos primeiros anos do século XVI.

Autor: Leandro Domingues Duran pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas CEANS/NEPAM/UNICAMP . Doutorando em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).


PROSPECÇÕES ARQUEOLÓGICAS REALIZADAS NA ENSEADA DA PRAIA DO FAROL DA ILHA DO BOM ABRIGO

Nossa comunicação tem como objetivo apresentar os resultados de prospecções arqueológicas realizadas na Enseada da Praia do Farol da Ilha do Bom Abrigo onde desenvolvemos um projeto de mestrado junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE), intitulado Arqueologia Subaquática: o estudo de sítio depositário da Enseada da Praia do Farol da Ilha do Bom Abrigo.

Os levantamentos preliminares (na área da Enseada) foram realizados a partir dos resultados da aplicação de métodos geofísicos (Sonografia e Perfilagem Sísmica Contínua) no entorno da Ilha do Bom Abrigo, feitos pelo Instituto Oceanográfico (IO-USP) para outro projeto de pesquisa arqueológica sendo desenvolvido na Ilha, pelo pesquisador Leandro Duran (MAE-USP).

Na Enseada, a Sonografia revelou a presença de três pontos de anomalias (georreferenciados) no solo marinho. De posse da localização de cada um desses pontos a equipe de pesquisadores-mergulhadores deu início a fase de prospecção, decidindo aplicar o do método de círculos concêntricos. No emprego dessa metodologia cada ponto de anomalia foi materializado com uso de uma bóia por onde uma dupla de pesquisadores munidos de trena, bússola, prancheta e máquina fotográfica nadaram em forma de círculos concêntricos, junto ao solo marinho a partir do ponto materializado (ponto zero), registrando a seqüência de achados de maneira amostral. As prospecções foram realizadas dentro da Enseada em três pontos (denominados anomalia 2, 3 e 8), e de mais um ponto conhecido (denominado âncora), por conter uma âncora do século XIX, utilizada atualmente como poita pelas embarcações que freqüentam a Ilha.

Os achados oriundos das prospecções foram registrados de maneira amostral, demonstrando serem o produto de práticas realizadas a bordo das embarcações, descartes e perdas como no caso, por exemplo, de âncoras, ferramentas e utensílios de uso pessoal.

A análise de informações documentais, orais e fruto das primeiras intervenções subaquáticas, obtidos até a presente fase de nossa pesquisa, já nos permite tecer algumas considerações sobre a utilização social da Enseada da Ilha do Bom Abrigo feita por “gente do mar” ou não. Além disso, acreditamos na existência de artefatos, ainda mais antigos, enterrados sob sedimentos do solo marinho da área da Enseada e que será tratado em intervenções a serem realizadas em outra fase de nosso projeto.

Autor: Ricardo dos Santos Guimarães: Mestrando do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).




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